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Renato Timotheo

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O tigre, o menino e o trânsito

No dia 31 de julho todos nós ficamos chocados com o caso do tigre que dilacerou o braço de um garoto de 11 anos do zoológico de Cascavel no Paraná, a minha esposa leu e me enviou um artigo que é realmente extraordinário, e que nos leva a refletir e conceituar corretamente o que é EDUCAÇÃO. Esse artigo foi escrito pelo jornalista, escritor e especialista em segurança viária Geraldo Tite Simões(http://motite.blogs.sapo.pt). Vale a pena ler até o fim.

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Como um acidente pode explicar o comportamento humano

O Brasil ficou chocado nos últimos dias de julho quando um garoto de 11 anos teve o braço direito dilacerado por um tigre. O “acidente” ocorreu em um zoológico de Cascavel, PR, quando o garoto, acompanhado do pai, pulou uma cerca de proteção, ignorou os avisos de manter-se afastado e provocou primeiro um leão e depois o tigre. O desfecho todo mundo viu: teve o braço amputado na altura do ombro e terá a vida inteira para refletir sobre esse ato “corajoso”. Esse acidente é exemplar, em todos os sentidos.

Quem acompanha minhas colunas sabe que há décadas eu insisto no declínio na qualidade do ser humano em sociedade. Especialmente no Brasil, país que parece caminhar ladeira abaixo no campo das relações humanas.

Felizmente alguém filmou e mostrou uma imagem que retrata o que vem acontecendo em uma sociedade desacostumada a respeitar uma autoridade. O garoto ficou por cerca de seis minutos atiçando dois felinos de grande porte, conhecidos por qualquer ser vivente como predadores. Até as pedras sabem que esses animais se alimentam de outros animais desde que o mundo é mundo.

Imediatamente após a divulgação das imagens começaram os julgamentos, principalmente os do “contra” e “a favor”, seja do tigre, do garoto, do pai, do zoológico, de Deus etc. No atual modus operandi social de palpitar sobre tudo houve a esperada distribuição de culpa para todos os envolvidos, alguns até tentando amenizar o lado do garoto sob a alegação de que era “incapaz” de avaliar os riscos. Será? Com 11 anos você não sabe a diferença de um gato para um tigre?

Deixando um pouco o tigre de lado, vamos lembrar um pouco das histórias da Bíblia. Sem a menor conotação católico-cristã, mas apenas como exemplo. Muita gente atribui o pecado original ao sexo, fazendo uma analogia direta da mordida na maçã com rala e rola entre Adão e Eva. Mas Deus não poderia castigar pelo sexo, senão inviabilizaria a reprodução humana e jogaria por terra o famoso “crescei e multiplicai”.

O pecado original que condenou Eva e seu amasio ao mundo terreno foi a DESOBEDIÊNCIA. Deus deixou bem claro: não coma a fruta dessa árvore! E quando virou as costas lá foi ela e nhoc! Não tinha uma placa na macieira do tipo “fique longe, não coma”. Por trás da desobediência está o conceito que quero chegar: o desrespeito!

Voltando ao zoológico, qual o padrão de comportamento dos visitantes: enfiar o braço na jaula ou manter-se afastado? Se uma criança violou o padrão é preciso olhar para esse caso isolado e tentar entender melhor de onde vem o comportamento tão prepotente.

Hoje em dia existe uma enorme confusão aqui em terras brasileiras com relação à educação. Também já escrevi sobre isso. E é um tal de pais entregarem seus filhos às escolas na crença cega de que o pimpolho sairá de lá um lorde inglês e com conhecimento de filósofo alemão. Mas em casa o filho faz o que quer, passa o dia no videogame, desobedece os pais e eventualmente despreza a autoridade dos empregados.

Educação é aquele conjunto de regras transmitidos de pais para filhos como uma carga genética. O que a escola transmite é conhecimento. Portanto, escola não educa, quem educa é o convívio familiar. Já defendi mais de um milhão de vezes a mudança do nome de ministério da Educação para ministério do Ensino.

Pergunto, que tipo de pai pode gerar um filho tão incapaz de entender a regra mais elementar, bíblica e basilar da educação que é a obediência? Que tipo de exemplo esse garoto tem em casa para ignorar tão descaradamente os perigos que envolvem o enfrentamento de um animal feroz? Uma criança que atiça descaradamente um animal selvagem como o tigre respeita seus professores? Obedece seus pais?

É o reflexo da falta de cuidado na educação, não da escola, mas aquela da formação do caráter. Quem enfrenta um tigre não é corajoso – como escreveram alguns – ou simplesmente desobediente?

Chamou-me a atenção o comentário de vários jornalistas que reforçaram o fato de no momento do acidente não ter nenhum vigia, embora o zoológico tenha se defendido alegando que a área é monitorada por quatro fiscais.

Ora, jornalistas são pessoas esclarecidas, viajam e normalmente voltam do exterior sempre com uma história de civilidade na ponta da língua. Ficam impressionados que nos museus americanos o visitante deposita o valor em uma caixa que fica ali, ao alcance de qualquer um, mas ninguém pega. Contam – impressionados – que na Áustria as padarias deixam o leite fora e as pessoas pegam e depositam as moedas em um pote, sem ninguém vigiando.

Mas cobram o fato de naquele local do zoo não haver um vigilante. É ISTO que quero chamar a atenção: educação não é um comportamento expresso diante de fiscalização, o nome disso é obediência. Educação é o comportamento do indivíduo quando não tem NINGUÉM olhando!

Por isso a Prefeitura de SP instalou mais uma centena de radares e câmeras de vigilância, porque o motorista só consegue se manter educado sob constante fiscalização. Porque não foi educado. Os motoristas/motociclistas mal e porcamente foram instruídos, quando foram… E os ciclistas nem isso!

Pela visão do jornalismo sensacionalista podemos perder a esperança em trânsito solidário sem que haja uma fiscalização opressiva e constante, como no zoológico. Não basta uma placa de proibido estacionar, precisa ter um fiscal. Não basta investir em passarela ou ciclovia, tem de fiscalizar. Não basta avisar que o leão é bravo, precisa colocar o braço lá dentro!

* Desculpem-me não me apresentar, mas este blog foi criado para  artigos que não publico na imprensa aberta. Como era reservado mais aos amigos, nem sequer me dei ao trabalho de assinar, meu nome é Geraldo Tite Simões – Jornalista, escritor, especialista em segurança viária, duas filhas (bem educadas, eu acho…). 

 

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Um problema chamado água

Um dos quatro elementos do ser humano, a água, vem dando fortes dores de cabeça para a população e principalmente para os governantes que diante das ondas de manifestos por saúde, transporte, educação e segurança, tem tentado se articular para solucionar o problema. Os brasileiros já começam a sentir na pele os efeitos da degradação ao meio ambiente, com a falta de água doce no mundo que está sendo um enorme desafio em busca de alternativas.

Já imaginou um país sem água? Pois bem, um problemão! O Brasil é líder mundial em fonte de recursos hídricos, tendo quase o dobro do segundo colocado, a Rússia, mas mesmo assim começa a sentir um drama devido a falta na capital de São Paulo, maior metrópole brasileira, que passa pela maior seca de sua história no Sistema Cantareira, abastecendo 8,8 milhões de pessoas.

O governo do Estado já investiu cerca de 80 milhões para retirar água da reserva chamada de volume morto que fica abaixo do nível das comportas, buscando assim, soluções com tempo previsto até novembro deste ano.

O governo chegou a cogitar uma transposição do Rio Paraíba do Sul para auxiliar no abastecimento da SABESP, o que foi imediatamente reprovado pelo governo do estado do Rio de Janeiro e por outras autoridades.

Pelo mundo, países como Austrália e Israel tem usado a técnica de dessalinização da água do mar. Israel, por exemplo, possui três usinas e a mais recente tem a capacidade de abastecer 1/6 da população Israelense, um pouco mais de 1,3 milhões de pessoas, com um investimento de mais de meio bilhão de dólares.

No município de São João da Barra, interior do Rio de Janeiro, o problema com água é um pouco diferente. A diminuição do volume de água do Rio Paraíba do Sul é considerável, e, quando o mar está de ressaca, a água do mar entra pela boca da barra, em Atafona, segundo distrito de São João da Barra, comprometendo a captação da CEDAE, que fornece água salobra para as residências.

É importante que a sociedade e as autoridades inicie já uma mobilização para discutir e principalmente planejar o futuro hídrico, pois esse problema tende a crescer cada vez mais, principalmente se São Paulo ficar sem alternativa e tiver que transpor o Rio Paraíba do Sul para abastecer a população paulistana. Aí, o que será de nós?

 

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