10517962_1445610555722901_4431568945071723256_nMuito antigo é o culto doméstico de Nossa Senhora da Penha em São João da Barra; tão antigo e profundo que hoje supera o do padroeiro São João Batista. Sabemos que está ligado ao culto da santa em Vitória no Espírito Santo.

De lá vieram muitos povoadores, nos trazendo este culto divino. O brilhante Dr. Ruy Alves, médico de nossa terra e grande cronista, no jornal Folha Nova de 02/05/1976, escreve sobre a igreja e sua fundação; sendo o primeiro a escrever sobre isso. Diz ele que “Foi aos 09/01/1857 que a viúva do Comendador Joaquim Thomaz de Farias, isto é, D. Francisca Barreta de Jesus Farias, segundo escritura da mesma data deu a N. S. da Penha (de Atafona) ” trinta braças de terra de frente, e quarenta de fundos, no lugar denominado Barra, para edificar sua capela” A doação no valor de 100, 000 réis, onde a doadora diz que a Irmandade ou Devoção de N. S. da Penha, fica sujeita “as marinhas que são de dez braças para terra dentro e as trinta de frente afora a Nação.”

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E mais, exigia que a capela fosse construída dentro de cinco anos e que caso não façam, ficaria sem efeito o que ela doara, ainda exigiu que “nenhuma pessoa poderá edificar casas nas referidas terras, nem mesmo quando a Senhora tiver sua Irmandade organizada”, entendendo que a irmandade veio então, posterior à doação. Os confrontantes do terreno eram “pelos lados de cima e de baixo e para fundos com terras dela doadora, e pela frente com o Rio Paraíba…”

Por outro lado, Fernando José Martins, que era irmão de D. Francisca Barreta, diz em sua magistral obra publicada em 1868 que “…uma vistosa capela dedicada também à virgem da Penha está agora em progressiva construção no pontal do sul da barra do Paraíba. O templo, segundo as dimensões, é majestoso e promete ser acabado em breve e com maior asseio atento aos cuidados e desvelos de seus fundadores e atuais diretores. O local é aprazível; é talvez este edifício feito por cima do aterro da primeira casa levantada ma barra do célebre Paraíba do Sul, pelos anos de 1622. ”

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Contudo, não foi tão rápido que a obra terminou, o historiador campista Alberto Lamego, em sua obra ” Efemerides da Terra Goitacá”, pág. 374 diz que “…a igreja de N. S. da Penha, na Atafona, foi iniciada em 24/12/1878, e concluída em 1882, devido aos esforços do irmão João Candido Dias da Mota, que tem seu retrato na sacristia. “A primeira reunião dos fundadores da igreja e que constituíram a Irmandade no consistório da matriz nesta data.” que seria da fundação da irmandade e no principio da construção da capela, fato anterior.

O altar da padroeira é visitado a todo o momento pelos fiéis que vêm pagar suas promessas, ornamentando o altar na maioria das vezes com rosas brancas em homenagem a Santa. Outra prática muito comum é o romeiro trazer velas e peças de cera, representando partes do corpo, onde receberam graças atribuídas à intercessão de Nossa Senhora da Penha.Dr. Ruy Alves, que foi presidente daquela irmandade, transcreve dados do jornal “São João da Barra”, em que os dados narrados são mencionados. Eis portanto uma síntese de como surgiu o culto daquela venerada Santa de Atafona.


Por Fernando Antônio Lobato Borges