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Danilo Barreto

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Economista lança livro na Academia Campista de Letras

Foto: Mulin Ramon

O Professor e economista Alcimar das Chagas Ribeiro lançou seu mais novo livro intitulado “A Economia Fluminense: Análise da conjuntura e perspectivas” na Academia Campista de Letras – ACL na noite da última segunda-feira, 13, e eu não poderia deixar de comparecer e usar esse espaço para agradecer de forma bem singela todos os ensinamentos e conselhos que sempre me passou.

Alcimar possui graduação em Ciências Econômicas – Faculdades Integradas Bennett (1977), mestrado em Ciências de Engenharia pela Universidade Estadual do Norte Fluminense (1998), doutorado em Ciências de Engenharia pela Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (2002) e pós-doutorado em Economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ (2018). Atualmente é professor associado da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro. Tem experiência na área de Economia, com ênfase em Economia, atuando principalmente nos seguintes temas: distritos industriais, competitividade, desenvolvimento local, rede de empresas e extensão universitária.

O livro, lançado, trás uma grande contribuição que pode ser utilizada para alavancar o desenvolvimento regional do estado do Rio de Janeiro. O Professor analisa a economia estadual a partir da estrutura e riqueza dos municípios, atividades agropecuárias, comércio, indústria e serviço, emprego formal, operações bancárias e execução orçamentária. Essa análise se dá de forma segmentada a partir das seis mesorregiões do estado do Rio de Janeiro, onde destacou o município ou os municípios mais representativos dentro de cada uma delas.

Eu, Danilo Barreto, sempre refleti bastante nos conceitos de Lealdade e Gratidão em seus sentidos amplos. O fato de sermos gratos a alguém nos leva a ser leais, no sentido de dedicação e sinceridade.

Foto: Mulin Ramon

Lembro-me bem de quando tinha 15 anos, ainda estagiário na recepção do Hospital Veterinário da UENF, por diversas vezes pegava carona com o Professor e sua filha mais nova, a Professora Daniella Costantini, de Campos para São João da Barra. O que mais me marcou não foram as caronas, mas as verdadeiras aulas que tinha ouvindo os dois ao longo do caminho. Seus exemplos de vida me inspiraram a evoluir como profissional e ser humano. Eu serei eternamente grato por esses momentos. Toda essa história sobre gratidão e lealdade me fez lembrar de um conto de autor desconhecido que li há alguns anos atrás chamado “O Rei e os cães selvagens”:

“- O último Rei da comunidade tinha dez cães selvagens. Ele os usava para torturar e sacrificar qualquer um dos seus servidores que cometesse erro no seu reinado. Literalmente quem era exposto aos cães era imediatamente devorado por eles.

– Um dos servos disse algo errado e o rei não gostou. Então ele ordenou que o servo fosse jogado aos cães.

– O servo disse: “Eu o servi por dez anos, e você faz isso comigo? Por favor, dê-me dez dias antes de me jogar aos cães?” E o rei lhe concedeu.

– O servo então foi ao guarda que lidava com os cães e disse que gostaria de servir os cães durante os próximos dez dias. O guarda estava confuso, mas concordou e ao servo foi dedicado a alimentar os cães, limpeza e a os banhar com todo o conforto e carinho.

– Quando os dez dias acabaram, o rei ordenou que o servo fosse jogado aos cães como punição. Quando foi lançado, todos ficaram surpresos ao ver apenas os cães vorazes lamber os pés do servo! O rei, perplexo com o que estava vendo, disse:

– O que aconteceu com meus cães?

– O servo respondeu: “Eu servi os cães apenas dez dias e não esqueceram os meus serviços, no entanto, eu o servi por dez anos e você se esqueceu de tudo no meu primeiro erro.”

– O rei percebeu seu erro e ordenou que o servo fosse salvo “.

Gostaria de parabenizar o Professor Alcimar por mais essa etapa na sua notável carreira e que esse conto fique de ensinamento a todos os leitores deste blog. Que haja Gratidão e Lealdade a todos que nos ajudaram de alguma forma em nossa trajetória e crescimento.

Foto: Mulin Ramon

 

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Cooperativa Arte Peixe: Desenvolvimento econômico e social lado a lado

O cooperativismo tem se mostrado muito mais que um modelo de negócio, mas uma filosofia que mostra que desenvolvimento econômico e social podem sim andar lado a lado. Ao contrário do que muitos pesquisadores, profissionais e estudiosos acreditavam, os empreendimentos coletivos baseados no cooperativismo emergiram como alternativas que deram certo, mostrando que é possível obter lucro de forma sustentável e coletiva.

Segundo o sistema da Organização de Cooperativas Brasileiras – OCB (2018), em 2018 existiam 2,6 bilhões de cooperativas no mundo, essas cooperativas geraram neste ano 250 milhões de empregos e estavam presentes em 100 países. As cooperativas congregavam em 2018 um bilhão de pessoas, o que, dado em proporções, representa que para cada sete pessoas uma estava associada a algum tipo de cooperativa no mundo.

Foto: Divulgação

A cooperativa é um meio para que indivíduos que antes trabalhavam sozinhos ou, em alguns casos, nem se imaginavam trabalhando com determinado ramo, se unam e se tornem mais competitivos e assim possam atingir objetivos de forma coletiva através de uma cooperação recíproca.

Em São João da Barra, um caso nos chama a atenção: A Cooperativa Arte Peixe. Criada em 2007 pela Senhora Jacira da Penha Pires após o oferecimento de diversos cursos do Governo Federal através do Projeto Produzir, a cooperativa segue atuando com responsabilidade ambiental, segurança alimentar e toques de inovação.

Inicialmente os cursos foram direcionados para o trabalho de homens com produtos derivados do caju, trabalho que não chegou a ser realizado devido à baixa adesão de cooperados. Sendo assim, logo a cooperativa foi direcionada para a pesca. O projeto foi reformulado para inserir mulheres, principalmente de pescadores, no mercado de trabalho.

Os produtos da Cooperativa Arte Peixe inicialmente eram produtos alimentícios preparados com pescados e camarão. A cooperativa já deu início aos trabalhos inovando ao produzir hambúrgueres e linguiças de camarão e de peixe, produtos ainda não produzidos na região. Dentre os produtos da cooperativa também estão salgadinhos em geral e nuggets, também preparados com pescados e camarão, inteiros e processados. A Presidente Fernanda Pires garante que todos os produtos são 100% naturais e no processo de fabricação não há adição de nenhum conservante.

No momento de fundação a cooperativa contava com cerca de 20 cooperadas, a maioria já trabalhava filetando peixe e descascando camarão de forma individual. Com a criação da cooperativa essas mulheres receberam a oportunidade de ampliar suas produções e diversificar suas atividades. A criação da cooperativa foi sinônimo de inclusão produtiva, bem como geração de trabalho e renda para diversas famílias de São João da Barra e já foi eleita uma das cinco melhores cooperativas do Brasil.

Atualmente a cooperativa conta com 40 cooperadas, porém com apenas 8 trabalhando ativamente. A quantidade de cooperadas trabalhando tem relação com uma das demandas apresentadas pela Presidente Fernanda Pires que declarou que boa parte dos clientes da Arte Peixe são turistas e para que a cooperativa mantenha um bom número de vendas, principalmente em baixa temporada, seriam necessários investimentos em maquinários para aumentar a produção e, sobretudo, em logística. “Temos clientes nos municípios vizinhos e até na capital, porém não temos um veículo adequado para realizar o transporte de nossos produtos para outras cidades”, declarou Fernanda.

Além da capacidade de produção e da questão logística, outro gargalo apresentado pela Presidente é o Selo de Inspeção Estadual (SIE), da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Aquicultura (Seagro), um selo de qualidade que garante a boa procedência do produto e permite que o mesmo seja comercializado em todo o Rio de Janeiro. A cooperativa já esta se preparando para conquistar o selo, porém ainda necessitada de algumas adequações e, para isso, investimento. Outra alternativa seria o Selo Municipal, porém este ainda não está em execução.

A produção da cooperativa gira em torno de 200 kg ao mês. Com o investimento em maquinário, logística e na adequação da cooperativa ao SIE, a produção poderia chegar até 3 toneladas por mês, o que demandaria mais cooperadas e geraria mais emprego e renda para a comunidade de Atafona.

Foto: Divulgação

As principais parcerias da cooperativa hoje são a Prefeitura de São João da Barra e a Chevron. A Prefeitura auxilia e sempre auxiliou cedendo um espaço bem amplo no Mercado Municipal, além do fornecimento de água e energia, e a Chevron tem auxiliado com serviços de consultoria na área de gestão e gestão ambiental, focando em preparar a Cooperativa para conquistar o selo de qualidade estadual. Segundo Fernanda, “Além da Prefeitura e da Chevron, outras empresas já foram parceiras e, eu diria, foram essenciais para o desenvolvimento da cooperativa em outros momentos”. A cooperativa já contou com o apoio do SENAR, Shell, SOF, SERE, Instituto Consulado da Mulher, ENACTUS- CEFET/RJ, FIPERJ, FAPERJ, Pescarte UENF – SJB, Instituto Aliança, UNACOP-RJ, Governo Federal, Ferroport e a Onda Empreendedora de São João da Barra.

A Cooperativa Arte Peixe atualmente coloca seus produtos a venda no quiosque da Praça da Igreja de Nossa Senhora da Penha em Atafona de segunda à sexta no período da manhã. A Cooperativa também aceita encomendas de seus produtos. Faça uma visita e ajude a fortalecer essa grande iniciativa.

Referências

OCB. Organização das Cooperativas Brasileiras. O que é Cooperativismo? Sistema OCP. 2018. Disponível em: https://www.ocb.org.br/o-que-e-cooperativismo. Acesso em 02 de Dezembro de 2018.

PIRES, Fernanda. Entrevista sobre a Cooperativa Arte Peixe aplicada por Danilo Barreto de Souza. São João da Barra. Rio de Janeiro, 25 de Novembro. 2018.

SEBRAE. CARDOSO, Univaldo Coelho. Cooperativa. Série Empreendimentos Coletivos. Univaldo Coelho Cardoso, Vânia Lúcia Nogueira Carneiro, Édna Rabêlo Quirino Rodrigues. Brasília: SEBRAE, 2014.

SOUZA FILHO, Jorge Renato de. Desenvolvimento Regional Endógeno, Capital Social e Cooperação. [S.l.: s.n.], n.d.

 

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Negócios Sustentáveis e o problema do lixo no Brasil

Foto: Danilo Barreto

A criação de negócios sustentáveis tem atraído olhares de muitos investidores em todo o mundo. Apesar da crença de que sustentabilidade e crescimento econômico não dão as mãos ainda estar presente, experiências recentes mostram que, além da possibilidade da criação de negócios sustentáveis ser muito rentável, esse modelo de negócio atrai olhares de pessoas engajadas em causas ambientais e sociais, aumenta a confiança externa nas atividades e intenções da empresa e gera valor para seus acionistas (HART e MILSTEIN, 2004).

Dentre os problemas que a criação de negócios sustentáveis pode ajudar a solucionar esta a dificuldade que a maioria dos municípios brasileiros tem de gerenciar os resíduos sólidos. Trata-se de um assunto bastante delicado, pois envolve não só o setor público, mas também os geradores dos resíduos e famílias em vulnerabilidade que dependem dos lixões para viver.

O novo pacto federativo estabelecido na CF 88 não só transformou os municípios em entes federativos, como também lhes deu à possibilidade de promover consórcios públicos para resolver problemas e otimizar a utilização de recursos comuns a determinadas regiões, como é o caso do gerenciamento de resíduos sólidos.

A cooperação entre os entes é extremamente importante no nosso modelo federativo, principalmente por ajudar a diminuir as diferenças econômicas e sociais exorbitantes presentes em todo o território, muitas vezes até em municípios vizinhos. Portanto, é de suma importância que se promova a regulação dos interesses locais e que eles estejam alinhados aos interesses nacionais. (HERMANY e TOALDO, 2015).

Antes de mostrarmos a realidade brasileira, vale ressaltar que a questão da destinação e disposição final ambientalmente adequada de resíduos sólidos já vinha sendo discutida desde a década de 1990, mas só no ano de 2010, com o crescimento da produção de materiais descartáveis, o Governo Federal propôs uma lei específica para a situação, a Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS, instituída em agosto de 2010 (Lei nº 12.305/10). A PNRS estabeleceu a criação de um Plano Nacional de Resíduos Sólidos que traz uma série de regulações e diretrizes a respeito da destinação e disposição final do lixo e inovou em muitos sentidos como, por exemplo, a noção de responsabilidade compartilhada e logística reversa.

As diretrizes do plano nacional foram muito bem elaboradas, porém não consideraram uma série de problemas brasileiros. A competitividade política e os conflitos existentes entre os municípios por vezes prejudica a cooperação, além disso, a falta de qualificação, de consciência ambiental e, principalmente, as dificuldades financeiras da maior parte dos municípios brasileiros, sobretudo os de pequeno porte, têm feito com que muitos deles retornem a alternativas mais baratas e sem a menor preocupação com as gerações futuras e com o meio-ambiente como aterros irregulares e os lixões.

Um dos objetivos do plano nacional é a elaboração de “metas para a eliminação e recuperação de lixões, associadas à inclusão social e à emancipação econômica de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis;” (Lei Nº 12.305, 2010). O primeiro prazo para que os municípios parassem de utilizar os lixões foi 2014, mas boa parte dos municípios não o cumpriu. O prazo para o fim dos lixões no Brasil foi prorrogado para o período 2018/2021, sendo 2018 para municípios de grande porte e 2021 para municípios menores. O problema se tornou maior na medida que, em 2016, ao contrário do que vinha acontecendo desde a promulgação da PNRS, houve um crescimento do número de lixões por todo o Brasil. Dante Ragazzi Pauli, Presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – Abes, declarou: “Prazo maior não faz o município cumprir a lei. É preciso estruturar o setor, ainda que os resultados demorem a aparecer. Mas que eles sejam efetivos”.

Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública – ABRELPE, a cada ano aproximadamente 30 milhões de toneladas de lixo vão para os lixões e aterros sanitários sem nenhum tipo de tratamento. Em 2017 ainda existiam cerca de 3 mil lixões ou aterros irregulares que influenciam direta e indiretamente a vida de 76,5 milhões de brasileiros.

Foto: Divulgação

Esses rejeitos sem o cuidado adequado causam uma série de problemas ambientais. O descarte indevido de resíduos sólidos em lixões produz o gás natural metano (CH4), que agrava o efeito estufa. Além disso, a decomposição da matéria orgânica dos resíduos gera um líquido chamado chorume, que é extremamente poluente. A infiltração do chorume no solo contamina o lençol freático, prejudicando a água, a fauna e à flora. Todos esses danos, por consequência, afetam também a saúde pública. Ainda segundo a ABRELPE, Os investimentos para tratar dos problemas de saúde ocasionados pela disposição indevida do lixo e para cuidar do meio ambiente ultrapassam a marca de R$3,5 bilhões anuais.

Fazendo um contraponto com os gastos gerados pelos lixões para se dar destinação adequada aos resíduos no Brasil, de acordo com o texto da PNRS seriam gastos até 66% menos em recursos, na medida em que a reciclagem, a reutilização e a redução da periculosidade dos resíduos descartados geram retornos financeiros e cortam gastos destinados aos problemas gerados pela destinação e disposição inadequada.

Existem diversas soluções para resolver o problema dos lixões e a maior parte delas estão inseridas em nossa sociedade de forma não estruturada e abrangente, o que demanda organização e um planejamento estratégico de longo prazo para reduzir os impactos gerados pela nossa falta de conscientização social do descarte de nossos resíduos e a falta de interesse sobre o tema do setor público da maior parte dos municípios brasileiros.

A substituição dos lixões por alternativas ambientalmente favoráveis se torna benéfica não apenas para preservação do meio ambiente e melhoria nas condições de saúde das pessoas afetadas, mas também é uma excelente alternativa para redução dos gastos de prefeituras e principalmente, UMA GRANDE OPORTUNIDADE DE NEGÓCIO SUSTENTÁVEL E COM IMPACTO SOCIAL. As pessoas que dependem dos lixões para sobreviver podem ser acompanhadas e direcionadas para trabalhar nos centros de reciclagem, logística reversa e nos aterros fazendo o que já faziam, mas de maneira digna e segura. A otimização dos recursos públicos possibilitaria ainda a utilização de partes dos investimentos em outras áreas como esporte, educação, infraestrutura, beneficiando assim a população como um todo.

Para resolver o problema é necessário um planejamento estruturado de gestão eficiente, focado na logística, manutenção, redistribuição, e reciclagem desses resíduos. Aos interessados, três são os passos e formas de minimizar o problema:

1. Inteligência de Dados

ncia de Atualmente vivemos na era da informação, logo, trazer soluções que se aproveitam ao máximo desses mecanismos de coleta e de análise de dados é o primeiro passo. Utilizar a infraestrutura existente e o que há de mais moderno em tecnologia para criar um sistema integrado de coleta, análise e divulgação de dados estratégicos em relação aos resíduos sólidos facilitaria os processos logísticos do lixo.

Do ponto de vista estatal, aperfeiçoará a coleta, o tratamento e a destinação do lixo com ferramentas tecnológicas para o cumprimento da Política Nacional de Resíduos Sólidos e a reduzirá custos do município. Do ponto de vista empresarial, a coleta de informações precisa permitirá que decisões voltadas para a gestão do lixo sejam feita de forma mais racional e rentável.

2. Mobilização social

Utilizar da plataforma digital de inteligência de dados e criar uma série de incentivos para que os cidadãos estejam ligados diretamente a todo o trajeto dos resíduos sólidos. O ponto chave é criar a consciência ambiental de forma interativa, permitindo que os atores se engajem voluntariamente e criem uma onda dentro de sua localidade. Com isso, será minimizado o custo logístico das cooperativas, a didática ambiental ficará mais acessível e empírica e diminuirá consideravelmente o trabalho das prefeituras em relação ao mapeamento da coleta do lixo.

Outras opções são formas de interação e educação como fóruns de discussão, banco de apoio aos catadores, pontos de coleta seletiva, construindo de fato uma rede de conscientização do ciclo integrado de resíduos através da economia circular aplicada a logística reversa de resíduos.

3. Regionalização das políticas públicas

É importante reforçar a necessidade de uma política integrada entre municípios para que se viabilizem aterros e outras formas de destinação e disposição final do lixo através de consórcios municipais e auxiliar a comunicação e formalização dos consórcios, aproveitando os dados coletados pelas plataformas para a construção de parcerias eficientes entre municípios, atuando como um interlocutor das relações governamentais.

Os processos descritos acima podem ser uma boa alternativa para quem deseja criar um negócio sustentável, de forte impacto social e são ideais para quem possui no peito a vontade de resolver problemas do Brasil. Acredita-se que com a implementação de uma plataforma inteligente o município terá os custos de logística e coleta do lixo minimizados, gerando maior eficiência para a gestão pública e seus serviços.

Em resumo, para resolver o problema dos lixões no Brasil uma excelente alternativa seria coletar e disponibilizar dados abertos, informar e integrar a rede que participa do ciclo do lixo, engajar a população para melhor destino dos resíduos e trabalhar de forma intermunicipal com políticas públicas integradas que viabilizem aterros ou outras formas de destinação e disposição final dos resíduos sólidos.

Autores:

Danilo Barreto de Souza – Administrador Público e Mestrando em Políticas Sociais pela UENF. (Rio de Janeiro)

Flávio Vinte – Fundador e Diretor Executivo da Vivaçúcar, Presidente do Comitê de Gestão Empresarial da Amcham, e empreendedor Scale-Up Endeavor. (Minas Gerais)

Paulo Fernando Oliveira – Advogado, Mestre e Doutorando em Direito pela UFPE. (Pernambuco)

Luiz Miranda Ciochetti – Assessor parlamentar e CEO do projeto Inspirando Jovens de Sucesso. (São Paulo)

Referências:

BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Intitui a Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a Lei nº 9.605, de 12 de Fevereiro de 1998; e dá outras providências. Publicada no Diário Oficial da União em 3 de Agosto de 2010. Disponível em: encurtadors.com.br/oqDYZ. Acesso em 21 de Abril de 2018.

TOALDO, Adriane Medianeira. HERMANY, Ricardo. A cooperação entre os entes federados e sociedade na esfera local enquanto estratégia eficaz de gestão democrática na saúde pública brasileira. XII Seminário Interncional de Demandas Sociais e Políticas Públicas. XII Seminário Internacional de Demandas Sociais e Políticas Públicas na Sociedade Contemporânea. 2015. Disponível em: goo.gl/3wek4G. Acesso em 17 de junho de 2017.

HART, Stuart L. MILSTEIN, Mark B. Criando valor sustentável. Especial A.M.E. Ética nas organizações. Vol.3. nº2. Maio/Jul. p.66. 2004.

EXATA VESTIBULARES. Brasil e o problema dos lixões. Disponível em: oenem.com.br/blog/lixões-no-brasil/. Acesso em 21 de Abril de 2018.

PROFESSOR RESÍDUO. O problema dos lixões no Brasil. Disponível em: profresiduo.com/news/2505/14/o-problema-dos-lixões-no-brasil. Acesso em 21 de abril de 2018.

KING, G. et al. Automating Open Science for Big Data. Annals of the American Academy of Political and Social Science, v. 659, n.1, p. 260-273. 2015.

SILVA. Yuti. Na Bahia, 85% dos municípios jogam lixo em aterro irregular. Disponível em: atarde.uol.com.br/bahia/salvador/noticias/1806890-na-bahia-85-dos-municipios-jogam-lixo-em-aterro-irregular. Acesso em 22 de Abril de 2018.

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Vereador: um dos mais importantes administradores públicos

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Foto: Divulgação

No Brasil, qualquer cidadão que tenha mais de 18 anos de idade até a data da eleição, seja alfabetizado, seja Brasileiro nato, possua o pleno exercício dos direitos políticos, tenha domicílio eleitoral na sua circunscrição há pelo menos um ano, e, também, há pelo menos seis meses antes das eleições esteja filiado a um partido político pode se candidatar a vereador.

O vereador é o agente político representante do povo no Poder Legislativo, ou seja, na Câmara Municipal. Ele tem, como uma de suas responsabilidades, que fiscalizar os atos de todo Poder Executivo no que diz respeito à administração e os gastos com o Orçamento Municipal. Além disso, fiscaliza a cidade e leva as reuniões da Câmara Municipal assuntos a serem discutidos em prol da melhoria da infraestrutura da cidade.

Ele também deve trabalhar em função da melhoria da qualidade de vida da população. Deve propor indicações através das reivindicações feitas pela população, funcionando como uma espécie de ponte que leva as reivindicações da população em forma de requerimento ao Prefeito, ou seja, ele é o mediador entre população e o Poder Executivo.

Cabe ainda aos vereadores elaborar, apreciar, alterar ou revogar as leis para a Lei Orgânica do Município. Leis estas que podem ser de iniciativa tanto da própria câmara, da população quanto do Executivo.

Além das funções típicas de um vereador citadas acima, ele ainda possui algumas funções atípicas que são as funções administrativas no que diz respeito ao gerenciamento orçamental, patrimonial da câmara e seu pessoal, a função de julgar qualquer membro da câmara por irregularidades, faltas de ética ou de decoro parlamentar e, ainda, julgar o Prefeito por crime de responsabilidade.

De quatro em quatro anos ocorrem eleições municipais, nas quais são eleitos através do voto direto Prefeitos e Vereadores de todos os municípios Brasileiros. O mandato dos vereadores possui o prazo de 04 anos e a reeleição é ilimitada, diferente do Prefeito que pode ocupar o cargo somente por, no máximo, dois mandatos consecutivos, podendo voltar à disputa do cargo somente quatro anos após sua saída, em caso de mandato de reeleição.

A quantidade de vereadores que compõe o corpo Legislativo Municipal é definida de acordo com a quantidade de habitantes que o Município possui. Quanto maior a população, maior a quantidade de vereadores. Segundo a Emenda Constitucional Nº58 (2009) que trata das disposições relativas à recomposição das Câmaras Municipais, a quantidade mínima de vereadores será de 09 membros e de no máximo 55 membros por cidade.

A partir do exposto, podemos colocar o vereador como um dos mais importantes Administradores Públicos. Sim, apesar de ser um cargo político, o vereador possui a difícil tarefa de zelar pelo bem público. Como a maioria das ações do Executivo necessitam ser avaliadas e aprovadas pelo Legislativo, torna-se algo de muita responsabilidade escolher alguém preparado, com disposição e vontade política para nos representar durante quatro anos.

Nesse dia 02 de outubro, convido os amigos sanjoanenses a pensarem bem antes de escolher quem irá representa-los durantes os próximos quatro anos. Vivemos um momento delicado na economia de todo o país e é de extrema importância que nossos representantes tenham ciência do que ocorre não só com nosso município, mas em todo o Brasil. Precisamos de candidatos que tenham boas ideias e propostas.

Por fim, desejo que seu voto seja valioso. Valioso por carregar consigo uma escolha responsável, escolha repleta de propostas, vontade e capacidade para lutar pelos interesses de nossos cidadãos e de nossa querida São João da Barra. Vote Consciente.

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Danilo Barreto de Souza – Técnico em Administração de Empresas e estudante de Administração Pública da Universidade Estadual do Norte Fluminense – UENF

REFERÊNCIAS Alguns trechos foram retirados do artigo “ANÁLISE DA PRÁTICA POLÍTICA DOS VEREADORES DE CAMPOS DOS GOYTACAZES, MACAÉ, QUISSAMÃ E SÃO JOÃO DA BARRA.” publicado no XX Congresso Nacional de Administração (Goiânia – GO) de minha autoria sob orientação da Prof.ª Dr.ª Joseane de Souza do Laboratório de Gestão e Políticas Públicas da UENF.

BRASIL. Constituição (1988). Emenda constitucional n.º 58, de 23 de Setembro de 2009. Lex: disposições relativas à recomposição das Câmaras Municipais. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc58.htm>. Acesso em: 02 de Setembro de 2014.

ROCHA, Carlos Vasconcelos. Democracia em duas dimensões: cultura e instituições. Sociedade e estado, Brasília, v.24, n. 3, p 863-880, set/dez, 2009.

 

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Burocracia: Necessidade X Ameaça

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A burocracia está presente em boa parte de nossa vida e não é de hoje que ela tem recebido uma conotação negativa pela linguagem comum como se fosse excesso de normas e regulamentos, limitação da iniciativa e desperdício de recursos. Muitas vezes é culpada injustamente pela ineficiência e, além disso, é por vezes cogitada como desnecessária. A Burocracia é necessária sim, porém seu excesso é o que devemos temer.

Normalmente quando pensamos em Burocracia logo vem à imagem de muitos papéis numa mesa como barreiras, a agilidade dos processos, porém ela vai muito além desse sentido pejorativo. Segundo Weber, “a Burocracia é um aparato técnico-administrativo, formado por profissionais especializados, selecionados segundo critérios racionais e que se encarregavam de diversas tarefas importantes dentro do sistema”. A burocracia moderna possui as seguintes características:

O Estado possui soberania através do princípio de setores jurisdicionais estáveis e oficiais organizados mediante leis e ordenamentos jurídicos.

O princípio de hierarquia de cargos e diversos níveis de autoridade. (A subordinação hierárquica não implica que a autoridade “superior” esteja simplesmente autorizada a cuidar dos assuntos da “inferior”).

Funcionários cumprem suas atribuições determinadas por normas e regulamentos escritos.

Tanto o funcionário público quanto o privado devem ser contratados em virtude de sua competência técnica e qualidade específica para os cargos.

A contratação de pessoal especializado, as normas e regulamentos, a divisão de competências e o princípio da hierarquia conferem eficiência a administração pública e privada, porém o processo de burocratização, que segundo Weber é inevitável e crescente, pode se tornar um grande vilão caso exceda o necessário.

Para atingir eficiência, a Burocracia deve enfatizar o caráter legal das normas e regulamentos, o caráter formal das comunicações, a racionalidade e divisão do trabalho, impessoalidade nas relações, hierarquia de autoridade (não há cargo sem supervisão ou controle), padrão de procedimentos e profissionalização e especialização da Administração e dos participantes.

Merton, ao estudar as consequências da Burocracia, enxergou algumas características que levam a algumas disfunções previsíveis. Dentre as disfunções estão a falta de flexibilidade, excesso de formalismo e papelório, resistência a mudanças, dificuldade na comunicação interpessoal, rígida hierarquização, superconformidade com a rotina e procedimentos e dificuldade da relação com clientes e com o público.

Todas as disfunções ocorrem quando há excesso do que se entende como necessário. Além disso, a maioria dessas disfunções ocorre quando há pouca especialização dos participantes e pouca profissionalização da gestão. O modelo burocrático moderno exige muito do executivo, do gestor e do funcionário público e privado. Portanto, quanto maior a profissionalização, maior a probabilidade de haver um equilíbrio burocrático em determinada organização.

Por fim, a organização burocrática é extremamente necessária ao desenvolvimento de um País, ao desempenho de funções particulares e até mesmo a execução das atribuições dos mais variados tipos de cargos. Com isso, ao passo que é necessário, é também perigoso por ser potencialmente obsessivo e autocentrado.

Em âmbito nacional, sua ausência pode significar o fim da nação brasileira (Imaginem o jeitinho brasileiro atuando sem burocracia?), seu excesso pode tonar o cidadão inocente em culpado por não conhecer todo o aparato burocrático. Busquemos o equilíbrio burocrático cientes da necessidade de sua existência da Burocracia e da ameaça de excesso.

Referências Bibliográficas

HIAVENATO, Idalberto. Príncipios da Administração. Rio De Janeiro: Elsevier,

CANCIAN, Renato. Burocracia: Max Weber e o significado de &quot;burocracia&quot;. UOL

Educação. 2007. Disponível em:

&lt;http://educacao.uol.com.br/disciplinas/sociologia/burocracia-max- weber-e- o-

significado-de- burocracia.htm&gt;.

EGEBERG, Morten. PETERS, B. Guy (Org). PIERRE, Jon (Org). Administração

Pública: Coletânea – Implicações da Teoria Burocrática: uma análise organizacional.

Enap. Editora Unesp.

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