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Danilo Barreto

Burocracia: Necessidade X Ameaça

Foto: Divulgação

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A burocracia está presente em boa parte de nossa vida e não é de hoje que ela tem recebido uma conotação negativa pela linguagem comum como se fosse excesso de normas e regulamentos, limitação da iniciativa e desperdício de recursos. Muitas vezes é culpada injustamente pela ineficiência e, além disso, é por vezes cogitada como desnecessária. A Burocracia é necessária sim, porém seu excesso é o que devemos temer.

Normalmente quando pensamos em Burocracia logo vem à imagem de muitos papéis numa mesa como barreiras, a agilidade dos processos, porém ela vai muito além desse sentido pejorativo. Segundo Weber, “a Burocracia é um aparato técnico-administrativo, formado por profissionais especializados, selecionados segundo critérios racionais e que se encarregavam de diversas tarefas importantes dentro do sistema”. A burocracia moderna possui as seguintes características:

O Estado possui soberania através do princípio de setores jurisdicionais estáveis e oficiais organizados mediante leis e ordenamentos jurídicos.

O princípio de hierarquia de cargos e diversos níveis de autoridade. (A subordinação hierárquica não implica que a autoridade “superior” esteja simplesmente autorizada a cuidar dos assuntos da “inferior”).

Funcionários cumprem suas atribuições determinadas por normas e regulamentos escritos.

Tanto o funcionário público quanto o privado devem ser contratados em virtude de sua competência técnica e qualidade específica para os cargos.

A contratação de pessoal especializado, as normas e regulamentos, a divisão de competências e o princípio da hierarquia conferem eficiência a administração pública e privada, porém o processo de burocratização, que segundo Weber é inevitável e crescente, pode se tornar um grande vilão caso exceda o necessário.

Para atingir eficiência, a Burocracia deve enfatizar o caráter legal das normas e regulamentos, o caráter formal das comunicações, a racionalidade e divisão do trabalho, impessoalidade nas relações, hierarquia de autoridade (não há cargo sem supervisão ou controle), padrão de procedimentos e profissionalização e especialização da Administração e dos participantes.

Merton, ao estudar as consequências da Burocracia, enxergou algumas características que levam a algumas disfunções previsíveis. Dentre as disfunções estão a falta de flexibilidade, excesso de formalismo e papelório, resistência a mudanças, dificuldade na comunicação interpessoal, rígida hierarquização, superconformidade com a rotina e procedimentos e dificuldade da relação com clientes e com o público.

Todas as disfunções ocorrem quando há excesso do que se entende como necessário. Além disso, a maioria dessas disfunções ocorre quando há pouca especialização dos participantes e pouca profissionalização da gestão. O modelo burocrático moderno exige muito do executivo, do gestor e do funcionário público e privado. Portanto, quanto maior a profissionalização, maior a probabilidade de haver um equilíbrio burocrático em determinada organização.

Por fim, a organização burocrática é extremamente necessária ao desenvolvimento de um País, ao desempenho de funções particulares e até mesmo a execução das atribuições dos mais variados tipos de cargos. Com isso, ao passo que é necessário, é também perigoso por ser potencialmente obsessivo e autocentrado.

Em âmbito nacional, sua ausência pode significar o fim da nação brasileira (Imaginem o jeitinho brasileiro atuando sem burocracia?), seu excesso pode tonar o cidadão inocente em culpado por não conhecer todo o aparato burocrático. Busquemos o equilíbrio burocrático cientes da necessidade de sua existência da Burocracia e da ameaça de excesso.

Referências Bibliográficas

HIAVENATO, Idalberto. Príncipios da Administração. Rio De Janeiro: Elsevier,

CANCIAN, Renato. Burocracia: Max Weber e o significado de "burocracia". UOL

Educação. 2007. Disponível em:

<http://educacao.uol.com.br/disciplinas/sociologia/burocracia-max- weber-e- o-

significado-de- burocracia.htm>.

EGEBERG, Morten. PETERS, B. Guy (Org). PIERRE, Jon (Org). Administração

Pública: Coletânea – Implicações da Teoria Burocrática: uma análise organizacional.

Enap. Editora Unesp.

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