mini-elderHistórias de São João da Barra

Fernando Antônio Lobato Borges

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A Centenária Banda União dos Operários

Foto: Divulgação

Os anais da história mostram a presença de músicos em diversas fases do nosso povo. Na criação da festa do Divino Espírito Santo, em 1775, lá estão os quatro músicos, um deles “tocador de tambor”.

Quando em 1847 D. Pedro II visitou à Vila, não havia uma banda para recepcioná-lo, embora o Comendador João Batista de Castro tenha colocado sua banda de escravos para tocar num palanque em frente à sua Fazenda “Barra Seca do Norte” quando da passagem da Galeota Imperial pelo Paraíba.

Em 1861, o Almanaque Lammerth fala de “… existe uma sociedade musical cujo pessoal ativo, além de numeroso dedica-se com esmero à arte…”.

Já na segunda visita do Imperador em 1875, o coletor Belmiro José Ferreira Fluminense colocou-se à frente de um afinado grupo denominado ‘Os Invencíveis’…contudo não durou muito este grupo…em seguida surgem duas bandas rivais: a Lira de Ouro e a Lira de Ferro. A Lira de Ouro transformou-se na Lira dos Democratas de efêmera duração. Já o desaparecimento da Lira de Ferro levou diversos dos seus membros a criarem em 09 de Outubro de 1892 a Banda Musical União dos Operários. 

Composta principalmente pelos operários dos estaleiros e das Companhias de Navegação logo recebeu a adesão da comunidade e com muitos sócios criaram um clube social em que famosas festas se realizaram. Na década de 1990, todavia, fechou-se o clube social permanecendo apenas a Banda que completa neste ano 125 anos de existência.
Com sua sede localizada na rua Joaquim Thomaz de Aquino, tem hoje além da banda, uma escola de músicos e é um Ponto de Cultura que proporciona arte, lazer, entretenimento e inclusão aos jovens e a comunidade Sanjoanense de modo geral.

 

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A Igreja Matriz

Foto: Fernando Antônio Lobato Borges

Em 1770, o vigário Encomendado da matriz de São João, Diogo de Carvalho da Costa, compareceu em audiência pública com o Corregedor José Ribeiro Guimarães de Athayde, afim de solicitar auxílio do Senado da Câmara para o conserto da matriz que estava por cair. Em solene discurso, declarou o vigário que “seria maior desgraça deixar-se extinguir um templo que só para a sua glória bastava ser o mais antigo da Capitania da Paraíba do Sul.”

Construída em 1630, por Lourenço do Espírito e mais pescadores, a primitiva capelinha de São João da Praia foi confirmada em 1644 pelo prelado do Rio de Janeiro D. Antônio de Maris Loureiro. Construída de palha foi refeita e ampliada diversas vezes. Sempre na mesma posição e no mesmo lugar…

Em 1780, José Ferreira Passos e Josepha de Anchieta, mulher de Francisco Pereira Chelas, saindo festeiros de São João, fizeram derrubar a velha capela e reconstruíram com muito boa madeira…

Em 1818, finalmente foi reconstruída de pedra e cal, pelo empenho do vigário Francisco José Pereira de Carvalho, com o legado pior do Padre Belchior Alves Rangel e Silva, irmão do Barão de São João da Barra. Nessa obra, além do espaçoso edifício central, foram acrescentadas varandas, consistórios e sacristias.

Em 1840, com as obras finalmente concluídas foi o interior totalmente decorado com ricos afrescos do pintor campista Clemente de Magalhães Bastos, cuja obra prima, o quadro “Homem-Deus” destacava-se no pináculo do edifício.

Não havia, nos primórdios, irmandade, sendo os bens da igreja, administrados pelos tesoureiros em comum acordo com os vigário, o que vez por outra gerava conflitos mais ou menos funestos… Eram esses bens: casas, gado e jóias, fruto de doação dos devotos.

A irmandade surgiu em 1857 instituída pelo Comendador Joaquim Thomas de Farias, com seu compromisso aprovado legalmente.

Em 15/07/1882, durante a madrugada, um grande incêndio destruiu o corpo central do edifício, todo o telhado ruiu e as chamas transformaram em cinzas o rico interior, destruindo imagens e paramentos.

Reconstruída nos anos seguintes, manteve seu exterior barroco, modificando o interior para o feitio atual…

Na década de 1940 foi acrescentada a torre sineira.

Atualmente passa por uma minuciosa restauração que busca trazer de volta sua beleza original.

 

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O primeiro farol de Atafona

Foto: Fernando Antônio Lobato

Foto: Fernando Antônio Lobato

Situado a 4 km da Cidade de São João da Barra, o farol da barra do Paraíba, foi inaugurado em 10 de abril de 1889. Era considerado um farol de terceira classe e sua luz, visível a distância de 12 milhas mais ou menos. Situava-se ao lado da casa da Marinha, que desde o início do século XIX abrigava o Patrão Mor e toda a pilotagem da barra.
A Capitania dos Portos que estava situada na rua do Rosário, nº 63, na cidade, e tinha em 1905 a seguinte composição:
Delegado- Ten-Cel Reformado Albino da Silva Maia
Amanuense- Nelson Zuanny Delphim Pereira
Patrão- Escaler- Miguel Ferreira de Abreu e mais 6 remadores
Prático-mor – Joaquim Ennes Viana Zacarias
Sota-Patrão – Antônio Ferreira da Silva
Atoleiro- Feliciano Nunes Barbosa
Praticagem da barra- Pontal Sul – Atafona

Leia também: Um Conde Holandês em Atafona

Igreja de São Benedito

Breve histórico da Câmara Municipal de São João da Barra

Nossa Senhora da Penha: Padroeira de Atafona e dos pescadores

O último Coronel

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