mini-elderHistórias de São João da Barra

Fernando Antônio Lobato Borges

facebook

twitter

youtube

colunas

A família sanjoanense

10352827_1439035296380427_1661354049890377189_n

Fotos: Fernando Antônio Lobato

Por Fernando Antônio Lobato Borges

Minha árvore genealógica se estabelece neste solo com João Velho Pinto, de Cabo Frio, nascido em 1640, filho de Gaspar de Vide de Alvarenga e Izabel Pinta, casado com Violante Arraz de Mendonça, tiveram 6 filhos.

10449513_1439038009713489_5203191466634219568_n

Visita da parentela, caravanas se deslocando entre fazendas.

O segundo filho, Euzebio Correa de Alvarenga, nascido em 1671, casou-se com Margarida Coutinho, vinda do Espírito Santo descendente ela de Vasco Fernandes Coutinho, como nos diz F.J. Martins autor dessa pesquisa.

Euzébio e Margarida que moravam onde hoje é a praça de Nossa Senhora dos Navegantes tiveram 5 filhos, tendo a última Victoria Jesus se casado em 1718 com o Tenente João Martins da Costa tendo com ele 7 filhos.

O sétimo filho Antonio Martins da Costa nascido em 1730 casou-se com Joana do Nascimento, filha de Anastácia Pereira e Manoel Rodrigues da Purificação, descendentes dos primeiros moradores da vila.

Antônio e Joana tiveram 4 filhos, o de nome Francisco Martins da Costa casou-se com Mariana de Freitas, de antiga família sanjoanense, filha de Maria Pinto e Manoel Freitas da Silva, onde tiveram 3 filhos e a filha Maria Francisca das Neves casou-se com o viúvo baiano Antonio Alberto de Vasconcelos, tendo com ele 6 filhos, todos consagrados à Nossa Senhora da Boa Morte de quem eram devotos.

Custódia Maria de Jesus, casou-se em 28/05/1824 com o português José Francisco Lobato, aqui chegado como mestre de barco. Tiveram 7 filhos, dos quais o deputado Joaquim Antonio Lobato de Vasconcelos. Úrsula Pinto Lobato de Vasconcelos casou-se com Dionísio de Souza Neves, tendo com ele 10 filhos, o primogênito José Lobato Neves casou com Júlia Cruz em 08/12/1883 na matriz de São João Batista como seus antepassados, filha de Maria Rosa e Manoel Antonio Oliveira Cruz.

José e Júlia tivera 20 filhos dentre eles Maria Júlia casada com Joaquim Thomaz e Jorge Lobato de Oliveira que se casou com Irene Sena de Oliveira Souza sendo pais de 3 filhos: Antenor, Joaquim e Dalila.
Antenor casou-se com Admea Bouchardet Batista tendo 3 filhas Normea, Nissea e Nilse Lobato.
Da primogênita casada com Odyr Borges, nasci eu e mais 3.

10537380_1439039589713331_4311985357290870641_n

A família reunida recebe visita.

 

colunas

São João da Barra e a Independência

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

A Vila de São João da Barra ja era um movimentado porto, povoado de portugueses e nativos em intrincados laços familiares, quando ocorreram os movimentos separatistas de Portugal e a Independência do Brasil.

Com participação efetiva nosso povo tomou parte em todos os acontecimentos. Em 22 de maio de 1822, veio um convite dos Bons do Povo do Rio de Janeiro para nosso Senado aderir a pedir-se ao Príncipe para ficar no País, já em 21 de Junho, na presença do ouvidor interino Libanio, na presença dos republicanos e Bons do Povo, depois dos discursos assinaram o Termo, no fim do qual seguiram para a Matriz onde cantou-se um Te-Deum.

Contudo, foram diversas as confusões entre os patrícios e os nacionais que em altercações e contendas chegaram as vias de fatos. Essas querelas só cessaram quando o Ouvidor Interino José Libanio de Souza fez correr um bando seguinte: ” José Libanio de Souza, Juiz de Fora, das Vilas de São Salvador e São João da Barra, e interino Ouvidor da Comarca etc.

Faço saber aos habitantes festa Vila de São João que tendo no dia 04 do corrente aparecido nesta mesma bola a suposta ideia de que os brasileiros se queriam levantar com os portugueses, ideia esta que traz consigo os horrores da anarquia, e que tanto perturba a nós ordem e tranquilidade pública, chegando ao excesso de correr à casa de um cidadão sem ordem alguma judicial, só por uma mera desconfiança, e com frívolo pretexto; e sendo das sábias determinações de S.M. o Imperador que entre os seus súditos jamais deve haver a perniciosa distinção de nacionalidade dos cidadãos desse Império; por isso, em nome do mesmo Augusto Senhor, recomendo aos habitantes desta bola que devem inteiramente cessar-se semelhante distinção de lugar de nascimento, devendo só distinguir o verdadeiro brasileiro, quer seja neste ou naquele hemisfério, uma vez que tenha abraçado a sagrada causa do nosso Império, devendo só distingui-lo a maior adesão à mesma sagrada causa, pois que todos são membros dessa mesma sociedade.

E todo aquele que insultar por palavras, ou de outra qualquer maneira em razão de sua naturalidade, serão imediatamente processados com todo o rigor das leis, o que espero não será preciso por em prática, pois confio na obediência e fidelidade deste povo. E para que chegue a notícia de todos, mandei passar e escrever este bando, que será apregoado pelas ruas. Dado nesta Vila de São João da Barra aos 09 de Janeiro de 1824.

Finalmente em 11 de Abril foi jurada a Constituição com aprovação e regozijo de todos; cantou-se Te-Deum e iluminou-se a Vila por três dias. Nesta ocasião fez-se a mudança do quadro de D. João VI, que em rico e dourado caixilho ornava a Sala do Senado onde foi colocado em 1814, para substituir pelo de D.Pedro I e sua esposa.
No contexto da independência, alguns fatos relacionados a diversas revoltas de escravos movimentaram a Vila, quando notícias davam conta que a tão propagada Liberdade dos brasileiros se estenderia também aos cativos. Reprimidos com severidade, estes fatos passaram por jocosos causos.

 

colunas

De Mercado Municipal a Centro Cultural

Foto: Blog de Ralph Braz

Foto: Blog de Ralph Braz

A primeira pedra do Mercado Municipal foi colocada com toda solenidade a 31/03/1902 e também com toda solenidade, inaugurado em 11/07 do mesmo ano. Tem de frente 145 palmos sobre 73 de largura, todo rodeado de um passeio de concreto de 1,50 cm. Ao centro da frente abre-se largo portão de ferro. Em frente ao portão está um artístico chafariz com duas torneiras e encimado por uma pirâmide, havendo em uma das faces desse chafariz, uma lápide de mármore eternizando as datas de sua iniciação e inauguração. O mercado possui 7 chalés elegantes e pintados de cores diversas, sendo o revestimento das paredes internamente de azulejos de diversos padrões, até a altura de 10,1/2 palmos, todo com água canalizada e com abundância, com pias e torneiras para as lavagens frequentes; mesas com grossas pedras mármores, sendo que as destinadas a açougue, tem elegante cepo de madeira, além de travessas isoladas para serem penduras as carnes em ganchos de ferro polido. Esses chalés são todos calçados e com declive para facilitar as lavagens diárias, todas têm duas portas para o lado da rua e essas portas são de grade de ferro. Nos espaços compreendidos entre os chalés existem varandas cobertas com telhas de zinco e também calçadas a concreto, sendo 4 na frente com 14 palmos de largura e uma de cada lado c 35 palmos. Na margem do rio Paraíba do Sul, estão mais 2 varandas de 35 palmos com mesa de madeira de lei com pequeno declive para a venda de peixe e bem assim nas outras varandas existem muitas mesas no mesmo formato, destinadas para a venda de aves, ovos, legumes, etc.

Fundos do Antigo Marcado Municipal Foto: Divulgação

Fundos do Antigo Marcado Municipal Foto: Divulgação

Pelo lado do Paraíba do Sul, da acesso para o interior do mercado uma grande escada de cantaria que termina no chalé da administração. A área central fica a descoberto, é toda calçada a concreto e com declive suficiente para o pronto escoamento das águas das lavagens e pluviais. Externamente o mercado é fechado por gradil de ferro. O povo sanjoanense deve esse melhoramento ao esforço do Sr. Cel. Manoel Oliveira Cintra, um dos mais devotados filhos dessa terra.

Extraído do Almanaque Laemmerth 1905…

Em São João da Barra, o Centro Cultural Narcisa Amália funciona no antigo Mercado Municipal, construído em 1902. Restaurado em 1992, o espaço tem hoje um pequeno palco – usado principalmente para apresentações infantis – e salas onde são ministradas oficinas de artesanato. No pátio do centro cultural, no qual há uma bica em estilo império, são realizados eventos culturais, como o Café Literário.

Foto: Mapa de Cultura

Foto: Mapa de Cultura

 

colunas

Igreja de São Benedito

13524382_1759005971050023_5573808116672380804_n

Foto: Divulgação

Das mais antigas igrejas de São João da Barra, é a Irmandade de São Benedito. Já existia antes de 1730, tinha altar, retábulo e ornamentos próprios funcionando na igreja Matriz. Foi reformada interiormente em 1956. Sua festa se realiza sempre em 31 de Dezembro e 01 de Janeiro, data de inauguração do templo.

A Irmandade era dona de muitos bens, entre joias, casas, terrenos e gado. Usava uma dessas casas para acomodação dos andores, esquifes e restos de utensílios velhos.

Em 1816, obteve da Câmara, pela compra do terreno, autorização para a construção de sua igreja, na parte alta da restinga da Velha Barbosa.
Em reunião da Irmandade em 13 de fevereiro de 1820, deliberou-se sobre o projeto e risco da obra, imediatamente iniciado.

Em Dezembro de 1839, Solene Procissão transladou o Santo para sua nova casa.

Esse provisório edifício, pouco tempo serviu, sendo demolido em 1853, dando lugar a uma nova e espaços a obra com grossos alicerces e paredes de pedra e cal com abastadas proporções.

No início do século XX, recebeu a suntuosa Torre sineira, dando maior imponência.

Leia também: Breve histórico da Câmara Municipal de São João da Barra

Nossa Senhora da Penha: Padroeira de Atafona e dos pescadores

O último Coronel

 

colunas

Rica história do teatro sanjoanense

Por Fernando Antônio Lobato Borges

Cine TeatroSão antigas as referências ao teatro em São João da Barra, Fernando J. Martins fala dos teatros sacros do tempo da pequena Vila, aos teatros e folguedos afros das festas de São Benedito.

“Teatro”, com esse nome temos a primeira referência no jornal “O Parahybano” de 24/10/1862, que assim anuncia o Teatro Provisório do Sr. Levreiro e sua Companhia Ginástica Italiana e Familiar. Na verdade números de circo com palhaço, acrobatas e malabaristas.

Já em 12/12/1867, o mesmo jornal anuncia o Teatro de São Sebastião e a Companhia Dramática particular do Sr. Manoel da Silva Rovalho, que apresentou a comédia “Manda Quem Pode”.

10518713_1435860043364619_8434706655369191107_n

Croqui de Moema para Geane Mandu usar nos anos 80.

O livro “Teatro no Brasil” cita o português Eugenio Maria de Azevedo, teatrólogo que foi escrivão da Vila de São João da Barra em 1808. Fernando José Martins também é citado no mesmo livro aparecendo como autor teatral das comedias burlescas de “O Tolo Fingido” e ” Logro Não Previsto”.

Outros anúncios de jornais demonstram que a atividade teatral na cidade no fim do séc. XIX foi bastante intenso. Uma figura de destaque na época foi o Joaquim da Câmara Pavão que fez a arte de Moliere ganhar vida. Foi bastante profícua a sua obra teatral.

Eram Companhias itinerantes que congregavam os membros de uma mesma ou várias famílias. Companhias de Teatro Provisório faziam a diversão do povo que desde a chegada de D. João ao Brasil, modificou o seus hábitos.

10482758_1435859666697990_5159843200687693263_n

Desenho de Moema Magalhães para ” A Dama das Camelias”.

Câmara Pavão movimentou o teatro e fez discípulos. Foi tão intenso o movimento teatral na cidade no fim do XIX que a Sociedade Beneficente dos Artistas resolveu sob a presidência do Coronel Cintra, erguer um prédio para abrigar aquela arte tão rica na cidade.
Em 1906, sem a presença do pranteado Cel. Cintra, foi inaugurado “O Teatro São João”. No palco, Pai Quinzinho Pavão apresentou a peça “O Emigrado”. Tempos depois, fundou o Grêmio Teatral “Filhos do Progresso” que durou longos anos em suas mãos.
Desse grupo destacou-se Coriolano Henriques da Silva, que além de excelente ator foi também profícuo autor de sua lavra, a peça “Amor Maternal”, que levou as lágrimas plateias em São João da Barra e Campos dos Goytacazes. Coriolano, foi um dos mentores do Grupo Teatral Joaquim da Câmara Pavão que deu prosseguimento ao teatro na cidade nos anos de 1940/60.

O imponente teatro na década de 1910 iniciava com a exibição de fitas, primeiro cinema mudo e depois falado, por isso importam da Alemanha dois magníficos projetores.

10454319_1435703446713612_5311289557678906585_n

Ata do Grupo Joaquim da Câmara Pavão.

Os anos de 40/60 tem o grêmio Câmara Pavão que depois desaparece. Nos anos de 1970, surge o “GRATS” comandado pelo Sargento da Marinha Deusdedith Galia e Wilson Oliveira, este agitou a cidade com suas peças reunindo a juventude da época.

Nos anos de 1980, surgiram os grupos “Quem Tem Boca Vai A Roma”, “Tema” e “Balcão Nobre” que levaram peças como “Pagador de Promessas”, “Santo Inquerito” e “A Dama das Camelias”.

10353024_1435704323380191_7032120899632484660_n

Primeira notícia de teatro.

Nos anos 90, um festival de teatro infantil movimentou o velho prédio do teatro já abandonado. Uns poucos espetáculos de academias de balé movimentam o prédio decadente.

Em 2003, surge então um grupo de teatro de manifestação para reabertura do teatro que estava abandonado, o “Nós na Rua”. Em 2005 a Prefeitura desapropria o prédio e restaura, reabrindo no ano do centenário, 2006.

    

24385648

Atual Cine Teatro São João

10461937_1435703893380234_5835485645497543052_n

Entrada do teatro.

sombra-base-conteudo